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Atividade física e dores crônicas! - 10 Perguntas e Respostas

  • Foto do escritor: Ricardo B
    Ricardo B
  • 8 de out. de 2023
  • 10 min de leitura

1) Qual o papel do exercício físico na qualidade de vida?


O exercício físico desempenha um papel fundamental na melhoria da qualidade de vida de várias maneiras:

  1. Saúde cardiovascular: A prática regular de exercícios ajuda a fortalecer o coração, melhorar a circulação sanguínea e reduzir o risco de doenças cardiovasculares, como doença arterial coronariana, hipertensão e acidentes vasculares cerebrais.

  2. Controle de peso: O exercício ajuda na queima de calorias e na manutenção de um peso saudável. Isso é fundamental para prevenir a obesidade e as complicações relacionadas, como diabetes tipo 2.

  3. Saúde mental: A atividade física libera endorfinas, neurotransmissores que melhoram o humor e reduzem o estresse e a ansiedade. Isso contribui para um estado mental mais equilibrado e para a prevenção de distúrbios mentais, como a depressão.

  4. Saúde óssea e muscular: O exercício fortalece os ossos e os músculos, prevenindo a perda de massa muscular e a osteoporose, especialmente em pessoas mais velhas.

  5. Melhoria da qualidade do sono: A prática regular de exercícios pode ajudar a regular o ciclo do sono, proporcionando um sono mais profundo e reparador.

  6. Aumento da energia e resistência: O exercício regular aumenta a capacidade do corpo de realizar tarefas diárias com mais eficiência e menos fadiga.

  7. Melhoria da função cognitiva: Estudos mostram que o exercício pode melhorar a função cerebral, incluindo a memória, o raciocínio e a concentração.

  8. Socialização: Participar de atividades físicas em grupo pode promover a interação social, ajudando a criar e manter conexões sociais importantes para a saúde mental.

  9. Prevenção de doenças crônicas: O exercício regular está associado à redução do risco de várias doenças crônicas, como câncer, doenças respiratórias e problemas metabólicos.

  10. Aumento da longevidade: Estudos sugerem que pessoas que praticam exercícios regularmente tendem a viver mais tempo e com uma melhor qualidade de vida na velhice.

2) Qual o papel do exercício físico no tratamento das dores crônicas?


O exercício físico desempenha um papel significativo no tratamento de dores crônicas, e a hipoalgesia induzida pelo exercício é um fenômeno importante nesse contexto. Aqui estão alguns pontos relevantes:

  1. Redução da dor crônica: A prática regular de exercícios tem demonstrado ser eficaz na redução da dor crônica em várias condições, incluindo dor lombar crônica, artrite, fibromialgia e dores de cabeça crônicas. Isso pode ocorrer devido à liberação de endorfinas durante o exercício, que atuam como analgésicos naturais.

  2. Hipoalgesia induzida pelo exercício: A hipoalgesia é a diminuição da sensibilidade à dor. O exercício físico pode induzir a hipoalgesia, tornando o corpo menos sensível à dor. Isso pode ocorrer devido a vários mecanismos, incluindo a modulação da resposta do sistema nervoso central à dor.

  3. Fortalecimento muscular: A melhoria da força e da flexibilidade através do exercício pode ajudar a reduzir a sobrecarga nas articulações e músculos afetados pela dor crônica, aliviando assim a dor e melhorando a função.

  4. Melhoria da postura e biomecânica: O exercício pode ajudar a corrigir problemas posturais e biomecânicos que podem contribuir para a dor crônica. Isso é especialmente importante para condições como dor nas costas e dores articulares.

  5. Redução do estresse e ansiedade: O exercício também pode ajudar na redução do estresse e da ansiedade, que frequentemente acompanham a dor crônica e podem piorar a percepção da dor. A redução do estresse pode levar a uma diminuição da sensação de dor.

  6. Aumento da qualidade de vida: Além da redução da dor, o exercício pode melhorar a capacidade funcional e a qualidade de vida de pessoas com dores crônicas, permitindo que elas participem mais ativamente das atividades diárias.

  7. Redução do uso de medicamentos: Para alguns pacientes, o exercício regular pode reduzir a necessidade de medicamentos analgésicos ou anti-inflamatórios, minimizando assim os potenciais efeitos colaterais desses medicamentos.

É importante destacar que o exercício físico no tratamento de dores crônicas deve ser orientado e supervisionado por um profissional de saúde, como um fisioterapeuta ou um médico especializado em medicina do esporte, para garantir que seja seguro e adaptado às necessidades individuais do paciente. Além disso, é fundamental que o paciente siga as orientações e o programa de exercícios de forma consistente para obter os benefícios a longo prazo.

Portanto, ao abordar pacientes com dores crônicas, é importante incluir o exercício físico como parte integrante do plano de tratamento, pois ele pode desempenhar um papel fundamental na melhoria da qualidade de vida e no alívio da dor.

3) É verdade que o exercício físico regular consegue reduzir nossa sensibilidade à dor?

A hipoalgesia, ou a redução da sensibilidade à dor, está associada a uma complexa interação de mecanismos neurofisiológicos que envolvem vários neurotransmissores e neuromediadores. Aqui estão alguns dos principais mecanismos e substâncias envolvidos:

  1. Endorfinas e encefalinas: Essas são substâncias químicas produzidas naturalmente pelo corpo durante o exercício físico e outras atividades prazerosas. Elas são conhecidas como "analgésicos naturais" e atuam ligando-se a receptores específicos nos neurônios, diminuindo a percepção da dor. O exercício pode estimular a liberação desses neuromediadores.

  2. Serotonina: A serotonina é um neurotransmissor que desempenha um papel importante na regulação do humor e também na modulação da dor. O exercício pode aumentar os níveis de serotonina no cérebro, o que pode contribuir para a hipoalgesia induzida pelo exercício.

  3. Norepinefrina: A norepinefrina é outro neurotransmissor que desempenha um papel na modulação da dor. Durante o exercício, os níveis de norepinefrina podem aumentar, contribuindo para a redução da sensação de dor.

  4. GABA (Ácido gama-aminobutírico): O GABA é um neurotransmissor inibitório que reduz a atividade dos neurônios excitatórios. O exercício pode aumentar a disponibilidade de GABA no cérebro, o que pode ajudar a diminuir a percepção da dor.

  5. Canais iônicos: O exercício também pode afetar os canais iônicos nos neurônios que estão envolvidos na transmissão da dor. Por exemplo, o exercício pode aumentar a expressão de canais de potássio nos neurônios, o que pode reduzir a excitabilidade neuronal e, portanto, a sensação de dor.

  6. Inibição central da dor: O exercício regular pode aumentar a atividade de áreas do cérebro envolvidas na modulação da dor, como o córtex pré-frontal. Isso pode resultar em uma melhor regulação da dor e na redução da percepção de estímulos dolorosos.

  7. Modulação da resposta inflamatória: O exercício também pode influenciar a resposta inflamatória do corpo, reduzindo a liberação de substâncias pró-inflamatórias que podem sensibilizar os receptores de dor.

É importante ressaltar que a hipoalgesia induzida pelo exercício é um fenômeno complexo e multifatorial, e os mecanismos exatos podem variar dependendo do tipo de exercício, intensidade, duração e condição de saúde individual. Além disso, a resposta à dor e a capacidade de experimentar hipoalgesia podem variar de pessoa para pessoa.

Em resumo, o exercício físico pode influenciar uma variedade de sistemas neuroquímicos e neuromediadores que desempenham um papel na regulação da dor, contribuindo assim para a hipoalgesia. Essa é uma das razões pelas quais o exercício é frequentemente recomendado como parte do tratamento para dor crônica e na promoção do bem-estar geral.


4) O que é cinesiofobia?


A cinesiofobia é o medo ou aversão excessiva ao movimento ou ao exercício físico. É um termo que se origina da junção de duas palavras gregas: "kinesis" (movimento) e "phobos" (medo). Portanto, a cinesiofobia se refere ao medo patológico e irracional de se mover ou de se envolver em atividades físicas, mesmo quando essas atividades são seguras e benéficas para a saúde.

A cinesiofobia pode ser associada a diferentes condições médicas, especialmente aquelas em que a dor é um sintoma predominante. Por exemplo, pessoas que sofrem de dores crônicas, lesões musculares, articulares ou outras condições dolorosas podem desenvolver cinesiofobia devido ao medo de que o movimento ou o exercício piorem a dor ou causem danos adicionais.

Esse medo excessivo pode levar a um ciclo negativo em que a falta de atividade física leva a uma diminuição da força muscular, flexibilidade e condicionamento cardiovascular, o que, por sua vez, pode agravar a dor e a incapacidade funcional. A cinesiofobia também pode afetar negativamente a qualidade de vida, pois impede as pessoas de participarem de atividades cotidianas e sociais.

O tratamento da cinesiofobia geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir aconselhamento psicológico para ajudar o indivíduo a superar o medo do movimento, fisioterapia para ajudar na reabilitação física e educação sobre os benefícios do exercício adequado e seguro, especialmente no contexto das condições médicas específicas do paciente. É importante abordar a cinesiofobia de maneira adequada, pois a falta de atividade física pode ser prejudicial à saúde a longo prazo.


5) Qual o tempo recomendado de atividade física por semana?


Segundo o colégio americano de medicina do esporte, o tempo recomendado de atividade física para um adulto é de ao menos 30 minutos de atividade física moderada, 5 vezes por semana.


6) Como iniciar atividade física, se tenho dor?


Não é recomendada nenhuma atividade física que desencadeie ou piore a dor. A atividade física deve, inicialmente, ao menos manter ou diminuir a dor, mas não aumentar. Muitas vezes isso só vai acontecer após um “teste”. Se, após iniciar um exercício desencadeou dor em uma região do corpo, você pode exercitar uma região diferente. Os efeitos benéficos não são “localizados” (por exemplo: se eu tenho dor no ombro, não preciso exercitar aquele ombro para ter o benefício da hipoalgesia induzida pelo exercício físico, mas sim posso tentar iniciar uma caminhada, ou hidroginástica, por exemplo). Assim, o médico da dor pode lhe orientar em relação ao controle da dor para que você possa iniciar este ciclo da melhor forma possível; entretanto, esta terapia idealmente deve ser temporária.


7) Qual a melhor atividade física para mim?


Costumo dizer que a melhor de todas as atividades para você é aquela que lhe traga algum sentimento de prazer e que possa ser incorporada à sua rotina de forma menos “sofrida” possível. Há de se entender que o sedentarismo é “prazeroso” para quem não pratica nenhuma atividade, porém, igualmente danoso para os pacientes com dores crônicas. É necessária a compreensão que as atividades físicas são fundamentais, e algum “sacrifício” será necessário. Apesar de que algumas atividades possam ser “melhores” para certas condições de saúde, se ela não puder ser minimamente adaptada à sua rotina e capacidades/condições, não será viável para você. Exemplo: hidroterapia é excelente para vários tipos de dores, porém, se a piscina fica a 1 hora de distância da sua casa e/ou trabalho, dificultará essa incorporação à rotina. Existem muitas atividades gratuitas. Muitas informações na internet. Muitas atividades que podem ser feitas sem impacto (“alongamentos”). Recomendo iniciar após uma avaliação de um profissional da área.


8) Então quanto mais exercício físico, melhor?


Nem sempre. É importante ressaltar que a quantidade e o tipo de exercício podem variar de acordo com a idade, nível de condicionamento físico e condições de saúde individuais. Portanto, é fundamental que seus pacientes consultem um profissional de saúde antes de iniciar qualquer programa de exercícios para garantir que este seja seguro e adequado às suas necessidades específicas. Alguns estudos, inclusive, sugerem que o excesso de exercícios podem aumentar a incidência de alguns tipos de dor, como as lombares, obedecendo a uma curva “em U” (em que o sedentarismo é prejudicial, o aumento da atividade física reduz a intensidade de dores até um certo nível, sendo que a partir de uma certa quantidade de atividade física pode haver piora das dores – fonte: Heneweer H, Vanhees L, Picavet HS. Physical activity and low back pain: a U-shaped relation? Pain. 2009 May;143(1-2):21-5. doi: 10.1016/j.pain.2008.12.033. Epub 2009 Feb 12. PMID: 19217208.)



Figura adaptada de: Heneweer H, Vanhees L, Picavet HS. Physical activity and low back pain: a U-shaped relation? Pain. 2009 May;143(1-2):21-5. doi: 10.1016/j.pain.2008.12.033. Epub 2009 Feb 12. PMID: 19217208.


9) O que é cinesioterapia?


A cinesioterapia é uma forma de terapia física que utiliza o movimento e o exercício terapêutico como parte do tratamento para ajudar a melhorar a função física, a mobilidade e o alívio da dor em indivíduos com diversas condições médicas. Essa abordagem é realizada sob a supervisão de fisioterapeutas ou profissionais de saúde qualificados que projetam e supervisionam programas de exercícios específicos para atender às necessidades individuais de cada paciente.

A cinesioterapia envolve uma variedade de técnicas e exercícios terapêuticos, que podem incluir:

  1. Exercícios de fortalecimento muscular: Esses exercícios visam fortalecer músculos específicos que podem estar enfraquecidos devido a lesões, cirurgias ou condições médicas. Isso pode ajudar a melhorar a estabilidade das articulações e a função geral do corpo.

  2. Exercícios de alongamento: O alongamento é utilizado para melhorar a flexibilidade muscular e a amplitude de movimento das articulações. Isso é particularmente útil para pessoas com rigidez muscular ou limitações de movimento.

  3. Exercícios de mobilização articular: Esses exercícios visam melhorar a mobilidade das articulações, ajudando a restaurar a função articular normal e a reduzir a dor.

  4. Treinamento de equilíbrio e coordenação: Para pacientes com problemas de equilíbrio ou coordenação, os exercícios específicos podem ser prescritos para melhorar essas habilidades, reduzindo o risco de quedas e lesões.

  5. Exercícios de controle motor: Isso envolve o treinamento dos músculos para funcionar de maneira coordenada e eficaz, o que é importante para a realização de tarefas diárias.

  6. Exercícios de resistência cardiovascular: Em alguns casos, os exercícios aeróbicos são incorporados para melhorar a saúde cardiovascular e a resistência.

  7. Técnicas de relaxamento e alongamento muscular: Essas técnicas podem ser usadas para reduzir a tensão muscular e a dor associada a condições como dores de cabeça tensionais ou dor nas costas.

A cinesioterapia é frequentemente utilizada como parte do tratamento de lesões esportivas, reabilitação pós-cirúrgica, recuperação de lesões musculoesqueléticas, gerenciamento da dor crônica e muito mais. Ela pode ser adaptada para atender a uma ampla variedade de condições e necessidades individuais, e a supervisão de um fisioterapeuta ou profissional de saúde é fundamental para garantir que os exercícios sejam realizados de forma segura e eficaz.


10) Onde consigo mais informações sobre atividade física e saúde?


Aqui estão alguns sites em português onde os pacientes podem encontrar informações confiáveis sobre a importância do exercício físico na melhoria das dores crônicas:

  1. Ministério da Saúde - Portal Saúde: O Ministério da Saúde do Brasil oferece informações sobre saúde em seu portal. Eles têm seções dedicadas à promoção da saúde e atividade física como parte do tratamento de doenças crônicas. Link: https://www.saude.gov.br/

  2. Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR): A SBR oferece informações sobre doenças reumáticas, incluindo o papel do exercício no manejo da dor crônica relacionada a essas condições. Link: https://www.reumatologia.org.br/

  3. Portal Drauzio Varella: O Dr. Drauzio Varella é um renomado médico brasileiro, e seu portal oferece informações confiáveis sobre saúde, incluindo artigos sobre exercício físico e dor crônica. Link: https://drauziovarella.uol.com.br/

  4. Minha Vida: O site Minha Vida é uma fonte popular de informações sobre saúde e bem-estar. Eles têm artigos sobre o papel do exercício na melhoria da qualidade de vida e no alívio da dor crônica. Link: https://www.minhavida.com.br/

  5. Hospital Israelita Albert Einstein - Bem-Estar: O Hospital Albert Einstein oferece informações sobre saúde e bem-estar em seu site, incluindo artigos sobre exercício e dor crônica. Link: https://www.einstein.br/

  6. Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE): A SBMEE fornece informações sobre os benefícios do exercício físico para a saúde em seu site. Link: https://www.sbmee.org.br/

 
 
 

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