Dores relacionadas ao câncer e os bloqueios para dores oncológicas
- Ricardo B
- 14 de mar. de 2024
- 4 min de leitura
Atualizado: 22 de mar. de 2024
Dores relacionadas ao câncer e os bloqueios para dores oncológicas:
Em alguns textos aqui no site irei abordar, de forma ilustrativa e superficial, algumas possíveis causas de dores crônicas, e como a medicina intervencionista pode ajudar nos tratamentos. Lembre-se sempre de consultar um médico da sua confiança.
Neste texto, irei falar brevemente sobre os bloqueios para o manejo de alguns tipos de dores oncológicas.
A cadeia simpática é uma parte do sistema nervoso autônomo (SNA), mais especificamente do sistema nervoso autônomo simpático, que desempenha um papel fundamental na regulação das respostas involuntárias do corpo às situações de estresse, incluindo a famosa resposta de "luta ou fuga". Embora sua função primária esteja relacionada à preparação do corpo para ações rápidas e intensas, a cadeia simpática também tem uma relação intrigante com a transmissão de impulsos dolorosos, conhecida como dor simpaticamente mantida ou distúrbio de dor complexa regional (CRPS, na sigla em inglês).
Os bloqueios simpáticos, realizados na cadeia simpática e seus gânglios e plexos, são uma abordagem terapêutica importante no manejo de diversas condições de dor, incluindo as dores de origem oncológica. Este procedimento visa interromper a transmissão dos sinais de dor que percorrem o sistema nervoso simpático, proporcionando alívio significativo da dor para os pacientes. A relação entre esses bloqueios e o tratamento de dores de origem oncológica pode ser compreendida através dos seguintes pontos:
Mecanismo de Ação: Os bloqueios simpáticos são realizados por meio da injeção de anestésicos locais ou de neuroablativos em pontos específicos da cadeia simpática. Isso interrompe temporária ou permanentemente a transmissão dos sinais de dor através dos gânglios simpáticos. Em contextos oncológicos, essa interrupção pode reduzir significativamente a dor associada a tumores que afetam nervos, ossos, ou tecidos, bem como a dor causada por tratamentos de câncer, como a quimioterapia e radioterapia.
Aplicações em Dores Oncológicas: Em pacientes com câncer, os bloqueios simpáticos podem ser particularmente úteis para controlar dores intensas e persistentes que não respondem bem a analgésicos convencionais, incluindo opioides. Isso é especialmente relevante para dores viscerais (como dores associadas a cânceres abdominais ou pélvicos) e para síndromes de dor complexa, como a síndrome da dor regional complexa (CRPS).
Benefícios: Além de proporcionar alívio da dor, os bloqueios simpáticos podem ter outros benefícios para pacientes oncológicos, como a melhoria da mobilidade e qualidade de vida, redução na necessidade de analgésicos sistêmicos (e seus efeitos colaterais), e facilitação da participação em terapias de reabilitação e atividades cotidianas.
Tipos de Bloqueios para Dor Oncológica: Dependendo da localização e natureza da dor oncológica, diferentes tipos de bloqueios simpáticos podem ser utilizados, incluindo o bloqueio do gânglio estrelado (para dores na cabeça, pescoço, e membros superiores), bloqueio de nervos esplâncnicos (para dores abdominais), e bloqueio do plexo hipogástrico superior (para dores pélvicas).
Os bloqueios guiados por imagem, como o uso do ultrassom e/ou do intensificador de imagem (raio-X), são procedimentos minimamente invasivos realizados para aliviar a dor ao interromper a transmissão de sinais de dor ao longo da cadeia simpática. Estes são passos gerais de como os bloqueios são realizados:
Preparação do Paciente: O paciente é posicionado de forma adequada na mesa de procedimento, geralmente deitado de costas ou de lado, dependendo do local do bloqueio. A área de inserção é limpa e preparada assepticamente.
Sedação: Sob acompanhamento do médico anestesiologista, é realizada a sedação para maior conforto e segurança do paciente.
Anestesia Local: Uma pequena quantidade de anestésico local é aplicada na pele e tecido subcutâneo no local da injeção para minimizar o desconforto.
Uso do método de Imagem (Ultrassom e/ou Raio-X): O ultrassom e/ou o intensificador de imagem é utilizado para guiar a agulha com precisão até o local desejado para o bloqueio. As imagens são fornecidas em tempo real, permitindo ao médico ajustar a trajetória da agulha para garantir a colocação precisa.
Injeção do Agente Bloqueador: Uma vez que a agulha está corretamente posicionada, conforme confirmado pelas imagens, o anestésico local (e, em alguns casos, um agente neuroablativo) é injetado para bloquear a transmissão dos sinais de dor. Em alguns casos, um contraste pode ser injetado antes do anestésico para confirmar a dispersão do medicamento no local desejado.
Monitoramento e Recuperação: Após o procedimento, o paciente é monitorado por um curto período para avaliar a eficácia do bloqueio e identificar possíveis complicações. Se tudo estiver bem, o paciente pode ser liberado com instruções específicas para o cuidado pós-procedimento.
Principais Efeitos Adversos:
Dor no Local da Injeção: O desconforto ou dor no local da injeção é um efeito colateral comum, geralmente leve e temporário.
Sangramento ou Hematoma: Como com qualquer procedimento que envolve agulhas, existe o risco de sangramento ou formação de hematoma no local da injeção.
Possíveis Complicações:
Hipotensão: Os bloqueios simpáticos podem resultar em uma queda temporária da pressão arterial, conhecida como hipotensão, devido à interrupção do fluxo simpático.
Infecção: Embora raras, infecções no local da injeção podem ocorrer.
Lesão Nervosa: Existe um risco de dano aos nervos adjacentes à área alvo, o que pode resultar em dor persistente, dormência ou formigamento.
Piores Efeitos Adversos e Complicações:
Lesão Vascular Grave: A agulha pode, inadvertidamente, danificar um vaso sanguíneo, o que pode levar a sangramento significativo ou até mesmo a formação de um pseudoaneurisma.
Pneumotórax: Especificamente para bloqueios realizados mais acima na coluna, existe o risco de pneumotórax (colapso pulmonar) se a agulha acidentalmente perfurar o pulmão. Esse risco é mais relevante para bloqueios torácicos do que para os bloqueios hipogástricos ou do gânglio ímpar.
Disfunção Sexual: Especialmente relevante para bloqueios no plexo hipogástrico, há um risco de causar disfunção sexual temporária ou permanente, devido à proximidade das fibras nervosas que controlam a função sexual.
Dificuldade de Micção: Os bloqueios que afetam a região pélvica podem, em alguns casos, levar a uma dificuldade temporária de micção, exigindo intervenção médica para alívio.
Considerações Finais:
Os riscos associados aos bloqueios de cadeia simpática devem ser cuidadosamente considerados e discutidos entre o médico e o paciente. A técnica adequada, a experiência do profissional e o uso de orientação por imagem (como ultrassonografia ou fluoroscopia) podem minimizar significativamente o risco de complicações.
É essencial que os pacientes sejam informados sobre todos os potenciais efeitos adversos e complicações antes de dar consentimento para o procedimento. Embora as complicações graves sejam raras, a conscientização e o entendimento de todos os possíveis resultados são cruciais para uma tomada de decisão informada. A escolha de profissionais qualificados e experientes é também fundamental para garantir a segurança e eficácia do tratamento.
Para maiores detalhes de como um desses procedimentos é realizado, clique no botão abaixo e acesse (conteúdo em inglês):


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