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Fibromialgia - Entendendo Sua Condição em15 Perguntas e Respostas

  • Foto do escritor: Ricardo B
    Ricardo B
  • 21 de jun. de 2023
  • 8 min de leitura

Atualizado: 25 de jan. de 2024

Se você está lendo isso, talvez esteja buscando entender melhor a fibromialgia. Aqui, abordaremos as principais dúvidas sobre esta condição, oferecendo informações claras e apoio.


1) O que é fibromialgia?

2) Qual é a causa da fibromialgia?

3) Fibromialgia é uma condição rara?

4) Fibromialgia é uma doença “psicológica?”

5) Quais são os principais sintomas da fibromialgia?

6) Como é feito o diagnóstico?

7) Qual exame faz o diagnóstico de fibromialgia?

8) Há associação entre fibromialgia e depressão?

9) Há cura para a fibromialgia?

10) Como é o tratamento para fibromialgia?

11) Quais outras doenças podem ser “confundidas” com fibromialgia?

12) Fibromialgia é grave?

13) O que é o índice de dor generalizada?

14) O que é o escore de severidade de sintomas?

15) O que fazer se possuo fibromialgia?



1) O que é fibromialgia?


A fibromialgia é uma condição de saúde crônica caracterizada por dor generalizada no corpo e sensibilidade em pontos específicos. É considerada uma síndrome, o que significa que é um conjunto de sintomas que ocorrem em conjunto, embora a causa exata ainda não seja totalmente compreendida. Acredita-se que a fibromialgia resulte de uma combinação de fatores, incluindo anormalidades no processamento da dor pelo sistema nervoso central. A fibromialgia está relacionada a como o seu corpo processa a dor, resultando em uma sensibilidade aumentada.


2) Qual é a causa da fibromialgia?


A causa exata da fibromialgia ainda não é totalmente compreendida. A fibromialgia pode ser influenciada por uma combinação de fatores genéticos, alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso central, fatores ambientais como estresse ou trauma, distúrbios do sono e desequilíbrios hormonais. É uma condição complexa com múltiplas facetas. Pesquisas sugerem que a fibromialgia é o resultado de uma combinação de fatores, incluindo:


a) Suscetibilidade genética: Alguns estudos indicam que certas variantes genéticas podem estar associadas a um maior risco de desenvolver fibromialgia. No entanto, a influência genética parece ser complexa, e a condição não é totalmente determinada por genes.

b) Disfunção do sistema nervoso central: Acredita-se que a fibromialgia envolva uma desregulação do processamento da dor pelo sistema nervoso central. Pessoas com fibromialgia podem ter uma maior sensibilidade à dor devido a alterações nos neurotransmissores e no processamento das informações dolorosas pelo cérebro.

c) Fatores ambientais: Certos eventos traumáticos, lesões físicas, infecções prévias ou estresse emocional podem desencadear ou contribuir para o desenvolvimento da fibromialgia em algumas pessoas. No entanto, esses fatores ambientais podem não ser a causa direta da condição, mas sim desempenhar um papel na sua manifestação.

d) Distúrbios do sono: Muitas pessoas com fibromialgia apresentam distúrbios do sono, como insônia ou sono não reparador. A falta de sono adequado pode contribuir para o desenvolvimento e agravamento dos sintomas da fibromialgia.

e) Fatores neuroendócrinos: Alterações nos níveis de certos hormônios, como a serotonina, o hormônio do crescimento e o cortisol, têm sido observadas em pessoas com fibromialgia. Essas alterações podem afetar a regulação da dor e outros sintomas relacionados.


3) Fibromialgia é uma condição rara?


Não é rara; afeta cerca de 2 a 5% da população mundial, sendo mais comum em mulheres entre 30 e 60 anos.


4) Fibromialgia é uma doença “psicológica”?


Definitivamente não. Embora a causa exata seja desconhecida, estudos mostram alterações físicas no cérebro e no processamento da dor. Fatores emocionais podem influenciar, mas não são a causa. Apesar de não haver uma causa totalmente compreendida, há uma série de fatores envolvidos, inclusive com vários estudos demonstrando que:

- estudos de ressonância magnética funcional mostram que há alterações na morfologia cerebral;

- há aumento na atividade neuronal em regiões de processamento da dor;

- há uma maior resposta dolorosa a estímulos (maior sensibilização);

- há alterações na expressão de receptores envolvidos na transmissão da dor;

- há alterações em neuropeptídeos e neurotransmissores envolvidos na transmissão da dor;


5) Quais são os principais sintomas da fibromialgia?


Os sintomas da fibromialgia podem variar de pessoa para pessoa, mas os mais comuns incluem dor generalizada que dura pelo menos três meses, fadiga persistente, distúrbios do sono, dificuldade de concentração, rigidez muscular, dores de cabeça e sensibilidade em pontos específicos do corpo conhecidos como "pontos de gatilho". A dor é o sintoma mais característico da fibromialgia. Ela é difusa e pode afetar várias partes do corpo, como músculos, articulações e tecidos moles. A dor é crônica e muitas vezes descrita como uma sensação de queimação, latejante ou de pressão. Além desses sintomas principais, a fibromialgia também pode estar associada a uma série de sintomas secundários, como dores de cabeça, sensibilidade à temperatura, problemas digestivos, ansiedade, depressão e problemas de coordenação motora. É importante ressaltar que os sintomas da fibromialgia variam de pessoa para pessoa, e nem todas as pessoas com a condição apresentam todos os sintomas mencionados. É essencial consultar um médico para obter um diagnóstico adequado.


6) Como é feito o diagnóstico?


Baseia-se em uma avaliação clínica detalhada dos sintomas e na exclusão de outras condições médicas. Não existe um exame específico para fibromialgia, mas outros testes podem ser realizados para descartar outras doenças.


7) Qual exame faz o diagnóstico de fibromialgia?


Não há um teste único para diagnosticar a fibromialgia. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e na exclusão de outras condições.


8) Há associação entre fibromialgia e depressão?


A fibromialgia está frequentemente associada à depressão. A relação entre a fibromialgia e a depressão é complexa e multifatorial. Alguns pesquisadores acreditam que a dor crônica e os sintomas debilitantes da fibromialgia podem levar à depressão devido ao impacto negativo na qualidade de vida, função física e emocional. A dor constante, a fadiga e a limitação das atividades diárias podem levar à desesperança, desânimo e isolamento social, contribuindo para o desenvolvimento da depressão. Além disso, estudos sugerem que a fibromialgia e a depressão podem compartilhar mecanismos neurobiológicos semelhantes. Desequilíbrios químicos no cérebro, como baixos níveis de serotonina, um neurotransmissor relacionado ao humor, têm sido observados tanto na fibromialgia quanto na depressão.

É importante destacar que a depressão não é apenas uma reação emocional à dor crônica, mas uma condição médica legítima que requer atenção e tratamento adequados. Se você está enfrentando sintomas de depressão em conjunto com a fibromialgia, é importante buscar ajuda médica. Um profissional de saúde qualificado poderá fazer um diagnóstico adequado e recomendar um plano de tratamento adequado, que pode envolver terapia, medicamentos ou uma combinação de abordagens terapêuticas.


9) Há cura para a fibromialgia?


Embora a fibromialgia não tenha cura, o tratamento visa controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Pode incluir uma combinação de medicamentos, terapias físicas, exercícios leves, técnicas de relaxamento e terapia cognitivo-comportamental. É importante ter um acompanhamento médico adequado para desenvolver um plano de tratamento individualizado.


10) Como é o tratamento para fibromialgia?


O tratamento é complexo, e deve necessariamente envolver educação (paciente deve compreender tudo o que envolve a doença) e a quebra do ciclo vicioso de sintomas que atuam como causa e consequencia dos diversos problemas que afetem a qualidade de vida, entre eles a dor. Assim sendo, devem ser abordados diversos aspectos com uma estratégia individualizada e ao longo do plano de tratamento:

a) dor física: refere-se à sensação de desconforto físico causada por lesões, doenças ou procedimentos médicos. A dor física pode variar em intensidade, localização e qualidade;

b) dor emocional: envolve a dimensão emocional e psicológica da dor. Isso inclui sentimentos de medo, ansiedade, tristeza, raiva ou frustração relacionados à dor e à doença. Sentimentos negativos ocasionam maior percepção dolorosa, enquanto que sentimentos positivos reduzem a percepção da dor.

c) dor social: refere-se aos impactos da dor e da doença nas relações sociais do indivíduo. Isso pode incluir isolamento social, dificuldades nas interações familiares e alterações no papel social. Neste aspecto também tem influência os problemas econômicos

d) dor espiritual/existencial: envolve questões e preocupações relacionadas ao sentido da vida, à busca de significado, à reconciliação e à transcendência. Isso pode incluir a busca de esperança, propósito, perdão, paz interior ou conexão com algo maior.

e) distúrbios do sono: muitas pessoas com fibromialgia apresentam distúrbios do sono, como insônia ou sono não reparador. A falta de sono adequado pode contribuir para o desenvolvimento e agravamento dos sintomas da fibromialgia.

f) distúrbios alimentares: algumas pesquisas sugerem que pessoas com fibromialgia podem ter maior incidência de certos comportamentos alimentares e distúrbios relacionados à alimentação. Alguns estudos e relatos anedóticos sugerem que uma dieta anti-inflamatória pode ter benefícios para pessoas com fibromialgia, embora os resultados possam variar de indivíduo para indivíduo. Além disso, associação com distúrbios da articulação temporo-mandibular podem ser comuns.

g) atividade física: um pilar do tratamento. A atividade física regular traz uma série de benefícios para a saúde, independentemente de ter ou não fibromialgia. No caso da fibromialgia, a prática regular de exercícios pode ajudar a reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Estimula a liberação de endorfinas, substâncias químicas que atuam como analgésicos naturais e promovem uma sensação de bem-estar, melhorando o bem-estar emocional e reduzindo os sintomas de ansiedade e depressão associados à fibromialgia. Pode ajudar a melhorar a qualidade do sono, reduzindo distúrbios do sono comuns em pessoas com fibromialgia. Melhora a capacidade cardiovascular, fortalece os músculos e melhora a resistência física, resultando em maior energia e disposição ao longo do dia. Importante frisar que é fundamental compreender que, ao contrário do que algumas pessoas podem supor, a imobilidade/sedentarismo é muito prejudicial, devendo haver um planejamento para reverter eventual “cinesiofobia” (um medo excessivo e limitante aos movimentos e atividades físicas).


Em suma. Envolve:

- Medicamentos da classe dos antidepressivos, como a amitriptilina;

- Medicamentos da classe dos relaxantes musculares, como a ciclobenzaprina;

- Medicamentos da classe dos anticonvulsivantes e antidepressivos duais, como a pregabalina e duloxetina;

- Medicamentos da classe dos opioides fracos, como o tramadol;

- Acupuntura;

- Hidroterapia;

- Psicoterapia;

- Meditação;

- Exercícios físicos (o que possui a maior efetividade);


11) Quais outras doenças podem ser “confundidas” com fibromialgia?


Existem várias condições que podem ser "confundidas" com fibromialgia, sendo que a investigação deve levar em consideração as diversas possibilidades, entre elas: síndrome da fadiga crônica, artrite reumatóide, polimiopatia reumática, lúpus eritematoso sistêmico, síndrome do intestino irritável, sídrome dololosa miofascial. 12) Fibromialgia é grave?


A gravidade da fibromialgia pode variar significativamente de pessoa para pessoa. Para algumas pessoas, os sintomas da fibromialgia podem ser leves e intermitentes, enquanto para outras podem ser persistentes e debilitantes. A fibromialgia é considerada uma condição crônica, o que significa que geralmente dura por longos períodos de tempo, mas não é considerada uma doença progressiva ou fatal. Embora a fibromialgia não seja uma condição que coloque a vida em risco diretamente, ela pode ter um impacto significativo na qualidade de vida e no bem-estar geral de uma pessoa. Assim, um conceito que é bem entendido no “mundo da dor” é o chamado “Dor total”, em que a dor é interpretada não apenas como um fenômeno físico, mas como um sintoma imbuído de dimensões emocionais, sociais e espirituais. Isso significa que, embora os mecanismos físicos que levam à dor serem exatamente os mesmos em todos os indivíduos, o impacto que a dor provoca em cada um deles é único, pois o contexto em que ela acontece é individual. Da mesma forma, alguns pacientes podem ser mais afetados a pensar que o pior de uma situação irá acontecer, sem levar em consideração outros desfechos, acreditar que o que aconteceu ou irá acontecer será terrível e insuportável (conhecido como “catastrofização”)


13) O que é o índice de dor generalizada?


Índice de dor generalizada consiste em uma pontuação que é útil no diagnóstico e manejo da fibromialgia. A tabela a ser preenchida:


Paciente deve assinalar as áreas onde teve dor nos últimos 7 dias:

- Mandíbula esquerda

- Mandíbula direita

- Ombro esquerdo

- Ombro direito

- Braço esquerdo

- Braço direito

- Antebraço esquerdo

- Antebraço direito

- Quadril esquerdo

- Quadril direito

- Coxa esquerda

- Coxa direita

- Perna esquerda

- Perna direita

- Cervical

- Dorso

- Tórax

- Lombar

- Abdome


14) O que é o escore de severidade de sintomas?


Escore de severidade de sintomas consiste em uma pontuação que é útil no diagnóstico e manejo da fibromialgia. A tabela a ser preenchida:

a) Paciente deve atribuir uma gradação a cada um dos três sintomas abaixo, sendo: 0 = ausente; 1 = leve; 2 = moderado; 3 = grave

- Fadiga

- Sono não reparador

- Alterações cognitivas

b) Paciente deve atribuir uma gradação considerando sintomas somáticos gerais (dor muscular, síndrome do cólon irritável, fadiga/cansaço, problema de raciocínio/memória, fraqueza,

cefaleia, dor/cólicas abdominais, dormência/formigamento, tonteira, insônia, depressão, constipação, dor no quadrante superior do abdome, náusea, nervosismo, dor torácica, borramento visual, febre, diarreia, xerostomia, prurido, chiado, fenômeno de Raynaud, urticária, zumbido no ouvido, vômitos, pirose, aftas orais, convulsões, xeroftalmia, dispneia, inapetência, rash/fotossensibilidade, fragilidade capilar, queda de cabelos, disúria/polaciúria, espasmos vesicais), sendo: 0 = nenhum sintoma; 1 = poucos sintomas; 2 = número moderado de sintomas; 3 = grande frequência de sintomas


15) O que fazer se possuo fibromialgia?


A fibromialgia é uma jornada desafiadora, mas você não está sozinho. Com o tratamento e suporte adequados, muitas pessoas com fibromialgia conseguem gerenciar seus sintomas e levar uma vida plena e ativa.

 
 
 

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© 2024 por Dr. Ricardo Baraldo

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