Medicações para Dor Crônica - Principais Erros
- 25 de jun. de 2023
- 3 min de leitura
Atualizado: 1 de jul. de 2023
Prezado(a) paciente,
Alguns pacientes suspendem por conta própria o uso de medicações para dor crônica que foram prescritas por seu médico. Aqui tento explicar principais os riscos e os principais problemas desta conduta (Medicações para Dor Crônica - Principais Erros)
Muitos são os motivos que levam o paciente a interromper um tratamento prescrito, entre eles, talvez o principal seja:
Paciente não sente melhora dos seus sintomas e para de tomar a medicação porque acha que não está funcionando.
Outros motivos são:
1) alguns pacientes começam a se sentir melhor e decidem não continuar mais;
2) esquecem o horário prescrito, particularmente quando tomam vários medicamentos em horários diferentes;
3) pacientes que não sabem o que fazer quando esquecem de tomar uma dose da medicação;
4) alto custo de algumas medicações, e os pacientes podem pular alguns horários para tentar economizar dinheiro.
O que acontece quando as instruções de dosagem e horários prescritos pelo médico não são seguidos:
a) Muitos medicamentos são projetados para serem tomados em intervalos regulares, a fim de manter uma quantidade constante do medicamento no organismo. Essa regularidade é fundamental para garantir que o medicamento seja eficaz no controle dos sintomas ou na cura da condição para a qual está sendo administrado. Tomar a dose correta nos horários adequados ajuda a manter níveis estáveis do medicamento no organismo, proporcionando o efeito terapêutico esperado.
b) Os medicamentos geralmente são formulados com base em pesquisas científicas para determinar a dose e o intervalo de tempo mais adequados para atingir o equilíbrio entre eficácia e segurança. Doses perdidas ou atrasadas podem reduzir a eficácia do tratamento e afetar negativamente o resultado terapêutico.
c) Alguns medicamentos têm uma janela terapêutica estreita, o que significa que sua eficácia está diretamente relacionada à manutenção de concentrações sanguíneas dentro de uma faixa específica. Ao tomar o medicamento nos horários corretos, você ajuda a manter essa estabilidade nas concentrações sanguíneas, maximizando os benefícios terapêuticos.
d) “QUEIMA” da medicação: uma das mais frequentes e piores consequencias do uso inadequado das medicações para dor crônica. Significa que, ao utilizar incorretamente uma determinada medicação, seja por dosagem incorreta, ou por tempo insuficiente até que algum benefício terapêutico ocorra, levará o paciente a acreditar que a medicação “não funciona”. Exemplo: sabemos que algumas medicações, especialmente algumas classes de medicações utilizadas no manejo de dores crônicas, podem levar vários dias ou até alguma semanas para que os efeitos terapêuticos benéficos sejam notados; assim, caso o paciente não aguarde o prazo necessário para tal, a dúvida surgirá: a falta de efeito benéfico aconteceu porque realmente aquela medicação não apresentou efeito desejado naquele paciente? Ou será que essa medicação apresentaria efeito benéfico, mas foi utilizada por tempo suficiente para que o efeito benéfico ocorresse? Esta consequencia é muito ruim no manejo de dores crônicas, uma vez que não existe uma quantidade muito grande de classes de medicações disponíveis, sendo que esse paciente terá menos (boas) opções acessíveis.
Assim, é importante para o paciente rever, junto com orientação médica, se existe a possibilidade que tenha manejado anteriormente incorretamente alguma medicação que eventualmente tenha sido novamente proposta para o manejo de sua dor crônica, seja por dose insuficiente, seja por tempo insuficiente, seja por interrupção no uso. Dessa forma, reiniciar o uso de uma medicação já anteriormente utilizada no passado, agora com orientação correta, seguindo prescrição adequada, e de acordo com um plano terapêutico, pode ser uma (boa) possibilidade.


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